O que aprendi jogando
21/09/2026
Minha primeira lembrança com jogos é de quando minha babá me levava a uma lan house para jogar GTA: San Andreas. Eu tinha quatro anos, então não conseguia fazer muita coisa além de dar zoom na cara do CJ e andar para frente. Mas esse universo se expandiu quando eu ia à casa dos meus vizinhos jogar PlayStation 2. Foi lá que conheci Resident Evil 4.
Eu não entendia muito bem o que acontecia no jogo, mas adorava aquela atmosfera fria e nebulosa. Um tempo depois, ganhei um PlayStation 2 de presente e, finalmente, pude me aprofundar de verdade naquele jogo. Até hoje, Resident Evil 4 é muito influente para mim, e tenho o costume de zerá-lo anualmente.
Ele pausa quando o inventário é aberto, permitindo que o jogador escolha com calma o que fazer. Esse espaço para a tomada de decisão é algo tão simples, mas está presente nas minhas mecânicas favoritas em jogos, como batalhas por turnos e gerenciamento de recursos.
Tenho uma relação fortíssima com jogos físicos, principalmente Magic: The Gathering. Ele é o único jogo do qual eu jogaria pelo menos uma partida todos os dias. E a graça não está só em jogar, mas também em espalhá-lo.
Apresentei o jogo a um grupo de amigos que rapidamente se tornaram melhores do que eu. E cada um deles já o apresentou a outras pessoas. Então, para além do entretenimento, jogos são uma ferramenta de socialização: os vizinhos de antes se tornaram meus melhores amigos, e nosso principal meio de socialização, até hoje, são os jogos.
Essa relação com os jogos sempre existiu, mas quase nunca aconteceu no ritmo dos lançamentos: quando ganhei meu PlayStation 2, o 4 já tinha sido anunciado, e só fui ter outro console — o primeiro Switch, de 2017 — este ano. Então, o PC foi a plataforma em que mais joguei.
O computador é o meio mais democrático de se jogar. Nem todo mundo pode ter um console, mas ter um PC é quase indispensável nos dias de hoje. Todo computador é gamer a partir do momento em que roda alguma coisa.
O fato de eu acompanhar as gerações de jogos um pouco atrasado fez com que eu valorizasse mais o que já existe do que o que está por vir. Afinal, o que ainda não foi consumido é algo novo.
Assistir a walkthroughs ou a YouTubers e streamers jogando não é para mim. Não consigo consumir uma jogatina sem ter sede de jogar. Acredito que tudo tem seu momento, então prefiro desconhecer os jogos que não estão acessíveis para mim no momento a terceirizar a experiência.
Preservei a experiência de jogar Breath of the Wild até ter um Nintendo Switch. Mesmo nove anos após seu lançamento, foi algo inédito e especial para mim e, com certeza, não teria sentido o mesmo caso tivesse consumido o jogo pela perspectiva de outra pessoa.
Jogos fizeram parte do meu desenvolvimento pessoal: aprendi a mexer no computador procurando detonados e vídeos sobre Resident Evil 4, conheci melhor meus amigos jogando ao lado deles e aprendi que uma experiência não precisa ser nova para ser inédita. Como este texto não comporta tudo o que tenho a dizer sobre eles, criei o repertório: um espaço para falar sobre o que eu gosto, e lá já tem dois textos sobre jogos que eu gosto bastante.