Ter um site é um ato de independência
29/04/2026
Em um mundo em que precisamos nos alinhar aos algoritmos e aos formatos das redes sociais para mostrar nosso lado criativo, um site nos dá a possibilidade de apresentar nossas ideias e projetos de maneira livre.
Existem plataformas que oferecem certa liberdade. O Behance funciona muito bem para a apresentação de projetos, enquanto o Substack se tornou uma ótima opção para blogs. Mas se apoiar unicamente nessas ferramentas é fechar os olhos para o futuro.
Transformar as redes sociais no núcleo das nossas criações é como morar de favor na casa de alguém: você pode estar na casa, mas ela não é sua. Se o dono quiser mudar alguma coisa nela, gostando ou não, você terá que aceitar.
Ter um site próprio não significa que todo mundo precise aprender a programar ou administrar um servidor. Há uma diferença entre começar com facilidade e buscar autonomia a longo prazo. Plataformas prontas são ótimas para tirar uma ideia do papel; com o tempo, porém, é importante entender o quanto você depende delas e até onde essa dependência atende ao seu projeto.
Em questões técnicas, apostar no simples na criação de um site facilita sua manutenção e o torna mais resistente ao tempo. Quanto menos dependências ele tiver, mais ele perdurará. Jeff Huang fez um ótimo manifesto sobre isso.
Mesmo com o avanço da IA, ainda existe uma curva de aprendizado até publicar um site. Utilizar vibe coding simplifica o processo, mas confiar na IA sem saber interpretar o que está sendo feito é um hábito ruim.
Aprender a criar esses espaços é bastante gratificante e recompensador, tanto em uma perspectiva pessoal quanto profissional. Há diversas maneiras de criar um site hoje em dia, e cada uma oferece um nível diferente de facilidade e autonomia:
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O Blogger é uma das alternativas mais acessíveis para começar. É gratuito e não exige nenhum conhecimento técnico, sendo uma boa opção para quem quer apenas escrever e publicar. Em troca, você aceita as limitações e as decisões de uma plataforma que não é sua.
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Plataformas como o Framer são ótimas para quem não quer aprender a programar, mas quer algo mais customizável. É pago, mas tem um plano gratuito que permite começar a imaginar seu projeto. Ainda assim, a publicação, a hospedagem e boa parte da estrutura continuam dependendo da ferramenta.
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O Bearblog e o Neocities são conhecidos como alternativas indie para a criação e hospedagem de sites. São caminhos interessantes para quem busca algo mais simples e leve, embora possam exigir conhecimentos básicos de front-end, especialmente no caso do Neocities.
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Para quem quer construir um site do zero e ter mais controle sobre o código e a estrutura do projeto, eu recomendaria utilizar o Astro como framework e a Vercel para a hospedagem. É o conjunto de ferramentas que considero mais simples para quem quer se aprofundar e assumir uma participação maior na manutenção do próprio espaço.
No fim das contas, você deve escolher o caminho mais fácil de manter na sua rotina. O meu foi feito pelo último método: sua manutenção é simples, há poucas dependências externas e 90% dos componentes foram feitos por mim. Mas, até chegar nesse resultado, foram anos de aprendizado.
Ter uma “casa própria” na internet não exige que você faça tudo sozinho desde o começo. Significa entender onde suas criações vivem, quais são os limites do lugar em que elas estão e quanto controle você quer construir com o tempo.
O que você cria deve ser divulgado nas redes sociais — não criado para elas.
O tópico já foi comentado pela Núria, que aborda essa ideia sob uma perspectiva corporativa. Recomendo a leitura como complemento, especialmente para quem quer aprofundar essa discussão sobre presença digital a longo prazo.