Eu só iria dormir em paz no dia que zerei Breath of the Wild quando eu tivesse pelo menos tocado em Tears of the Kingdom, joguei o prólogo inteiro no mesmo dia, e já sentia que seu objetivo era tornar o jogo mais importante dos últimos anos apenas um rascunho.
Todo mundo fala isso, mas é verdade: Ao mesmo tempo que são parecidos, Tears of the Kingdom conseguiu aprimorar o que seu antecessor tinha de melhor, e acrescentou uma narrativa que importa para a obra — fator que antes mal existia.
As habilidades é o que torna Tears tão unico: agora, o Link não lança uma bomba, ele atravessa paredes, junta, acopla e reverte o movimento de quase todos os objetos presente no jogo. E quando essas coisas não parecem úteis, o mundo aberto nos prova o contrário. Ele é o lugar para resolver os problemas usando os poderes, e não mais as shrines — essas que, continuam chatas.
O mapa conseguiu estar explorável novamente e com o dobro de vida. Está mais fácil e convidativo explorar o jogo além das missões principais. Estar nas profundezas é sufocante pela ausência de luz, enquanto sentimos paz quando vamos no céu pelo excesso dela. Pode estar chovendo lá embaixo, mas o ceu é sempre radiante. Ainda assim, a superfície continua sendo o brilho do jogo.
Com o sistema de fusões, agora o foco não é buscar o melhor equipamento, e sim a melhor combinação de objetos. Quando você descobre que o arco é a coisa mais quebrada desse jogo, tendo os materiais certos você se torna Deus, e provavelmente essa é a intenção.
As quests principais são mais divertidas, os guerreiros tem histórias melhores, e o Ganor está perfeito. Não é mais uma parede de carne, ele é forte, tem um objetivo, e é amedrontador. Ele realmente quer dominar aquele mundo, independente do sacrifício. As lágrimas exploraram bem essa ambição.
O ambiente é mais vivo, as side quests permite explorar as minúcias dele. Em uma das quests, você tem que pegar a escama de um dragão, quando cheguei até ele, descobri que as profundezas faz parte do seu itinerário. No fim, fiquei mais de 10 minutos apenas o seguindo, e foi algo tão mágico. Mesmo com o mundo em colapso, as crianças ainda saem para brincar nas vilas.
Jogar três anos depois de seu lançamento tem suas vantagens: deu tempo do jogo receber uma tradução nativa e correções. A experiência no primeiro switch em 2026 é estável, bonita e fluida. A queda de frames não foi algo recorrente, e a batalha final foi a melhor coisa que vi no console — e rodou sem problemas. Mas é nítido que a obra foi pensado para o Switch 2.
Reafirmo: BOTW foi substituído por Tears of the Kingdom, e definitivamente é o melhor título que se tem para Nintendo Switch (contando os dois consoles). Não devo jogar novamente algo como Tears of the Kingdom tão cedo. Infelizmente, um dos motivos é o fato da Nintendo ter patenteado as principais inovações do jogo (até a tela de loading). Não sei o quão isso é maleável, por exemplo: Genshin Impact é o “Breath of the Wild com gacha”, mas anos se passaram e não há uma alternativa ao Tears of the Kingdom. Tudo isso está preso a ele.
O milagre do switch não é rodar Hogwarts Legacy ou The Witcher 3. O ápice do switch, e dos jogos deste século, está em Tears of the Kingdom.